domingo, 11 de outubro de 2009

Resenha crítica a fidelidade e suas controvérsias.

A autora inicialmente cita o fato de ser a fidelidade um assunto polêmico e como tal faz jus as discussões em diversas aéreas incluindo a tradução, descreve o que é ser fiel tal definição é a encontrada no dicionário Luft em que o termo fidelidade seria cumprir o que se promete conclui que o tradutor infiel seria o que não realizasse o que se comprometeu a fazer.
A definição inicial é retomada através do questionado realizado por Arrojo sobre ser a tradução um processo de transformação ou recriação. Acrescenta-se a esta concepção uma pergunta sobre a maneira de avaliar a qualidade do texto traduzido já que tradução é reconstrução e não fidelidade a intenção do autor do texto de partida. Ambas as concepções revelam a busca da escritora por compreender a fidelidade e demonstram uma crença em que traduzir fielmente é alcançar o entendimento para o leitor sobre o texto de partida.
Na segunda parte do artigo situa-se a discussão sobre a desconstrução e o logocentrismo iniciada pela descrição da visão estruturalista que suscita a dicotomia entre sujeito/objeto, teoria/prática e forma /conteúdo. Afirma a autora que há no estruturalismo a idéia de ser o tradutor um transportador de significados já que nesta concepção a leitura sobre um texto é única e o contrário configuraria traição. Cita a busca daqueles que crêem no estruturalismo pela sistematização teórica para solucionar a problemática da fidelidade ao autor. Esta concepção é questionada no texto pela citação de Ottoni que nega a possibilidade de domesticação da tradução afirma: “a tradução não é domesticável em si, ela resiste a qualquer tentativa de sistematização em qualquer postura teórica ou histórica”.
Esta afirmativa é utilizada pela autora para introduzir a concepção descontrutivista na qual o tradutor produz outros significados na língua de chegada por isto a fidelidade não existiria já que a língua de chegada já apresentaria contaminações.

Visando validar a teoria da desconstrução a autora expõe trechos da tradução de As viagens de Gulliver comentadas por Gabriel Perissé na Revista Língua Portuguesa de (2006 p. 58,61). Concluiu ser correta a reflexão de Ottoni que o tradutor deve tentar ser o, mas fiel possível devido ao comprometimento com o texto. O autor não precisaria prometer porque o comprometimento deve ocorrer no momento da tradução.
A autora ressalta, na conclusão do trabalho, a complexidade da fidelidade e a importância da reflexão sobre assumir determinada concepção na prática tradutória ou no estudo sobre a mesma. Destaca-se a crença de Ottoni sobre a importância das teorias estruturalistas e pós- estruturalistas já que as pós-estruturalistas são filosóficas e ideológicas enquanto as estruturalistas não conseguiram sistematizar a tradução. Torna-se evidente a importância de ambas para os estudos de tradução por alicerçarem ideologicamente os tradutores em sua prática cotidiana diante das problemáticas que surgem.
A autora destaca a afirmativa de Benjamin sobre a preocupação da tradução não ser apenas de ordem semântica há outras questões. Ressalta o aspecto contraditório da fidelidade que segundo a mesma não possui solução.
A partir da leitura do artigo conclui-se que a fidelidade é importante enquanto comprometimento, no entanto, o texto traduzido é reconstruído sendo ilusória a crença de transporte de significados já que como afirma Ottoni não há como sistematizar o ato de traduzir, mas as teorias estruturalistas e pós- estruturalistas são importantes enquanto reflexão e alicerce do traduzir. Julga-se que o artigo contribui de forma significativa para a reflexão sobre a tradução por não eliminar o comprometimento em traduzir buscando transmitir ao máximo o que o texto de partida diz.
Resenha realizada por Jandiara F.S de Paiva. Rio de Janeiro. Texto A fidelidade e suas controvérsias de Geocinara de Faria Avila. Caderno de tradução da Universidade de Santa Catarina número:21

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