terça-feira, 1 de julho de 2014

EDUCAÇÃO DIREITO DE TODOS

RESUMO: O cotidiano escolar apresenta muitos desafios entre eles o olhar sobre a diversidade humana. É notório que todos os seres humanos precisam ter igualdades de direitos e oportunidades, mas a ignorância sobre o diferente promove o medo e muitas vezes a exclusão. Segundo a constituição federal a educação é um direito de todos. “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” O objetivo do presente artigo é promover a reflexão crítica sobre a educação inclusiva e sobre a frase “Educação direito de todos” a partir da uma análise bibliográfica de textos que retratam a história e a importância da inclusão para a educação. Durante muitos anos os alunos com necessidades especiais foram excluídos do sistema escolar que acreditava que não estivessem preparados para estar na escola.O que representa a inclusão para a sociedade ?Em que perspectiva surge o movimento da educação inclusiva? Qual é o sentido de uma educação para todos? Estes são alguns questionamentos a serem investigados na presente pesquisa. Palavras-chaves: educação, inclusão, diversidade, direitos. INTRODUÇÃO: Os alunos com necessidades especiais durante muitos anos foram excluídos do processo de ensino e aprendizagem ou recebiam atendimento em separado dos demais alunos. Neste contexto surge a lei de diretrizes e bases para a educação especial na educação básica com o objetivo de assegurar ao educando o direito à educação de qualidade na qual as especificidades dos alunos sejam respeitadas. Na prática docente observo por parte de muitos profissionais a insegurança no convívio e no processo de ensinar o aluno com deficiência. Questiona-se o porquê da inclusão?Se a inclusão é benéfica para os alunos?Se os materiais devem ser adaptados? Como adaptá-los? A escola deve adaptar-se ao aluno ou o aluno deve adaptar-se a escola? No presente artigo reflete-se sobre a importância da inclusão para o desenvolvimento socioemocional do educando e seu amplo desenvolvimento em diferentes dimensões de sua vida.Analisa-se a preponderância para sociedade da proposta inclusiva da educação,a função do estado,do professor,do sistema educacional e da família.Avalia-se o sentido da expressão educação para todos e a importância da mesma em um estado democrático. A metodologia utilizada para a realização da presente análise é um estudo qualitativo de textos que abordam a educação inclusiva sobre diferentes aspectos: histórico, legal e filosófico (paradigmas e reflexões a cerca do assunto). Acredita-se que este estudo fomentará a reflexão sobre a igualdade de direitos e sobre a importância da função libertadora da educação que possibilita ao homem direito de refletir e de ser livre. DA EXCLUSÃO SOCIAL A INCLUSÃO EDUCACIONAL Inicialmente reflete-se sobre a história da educação especial e a importância da inclusão dos alunos no sistema regular de ensino a partir dos estudos de Mazzota de Byer Inicialmente Mazzota (1996) afirma que os direitos alcançados pelas pessoas com necessidades educacionais especiais representam uma mudança social que lhes favoreceu o acesso aos estudos e a vida social (1996., p.17) A principio o pouco conhecimento sobre o assunto fazia com que os mesmos ficassem a margem da sociedade ou fossem excluídos até que houvesse um momento propicio para a mudança desta realidade. (Ibid., p.16) O pesquisador explica que as mudanças ocorridas na Europa motivaram as alterações na realidade da educação e ao atendimento as pessoas com deficiência no Brasil ressaltando em primeiro lugar a importância da publicação em 1620 de “Redação das letras e artes de ensinar os mudos a falar” pelo abade Charles Eppe que fundou a primeira instituição especializada para surdos mudos e inventou o método de sinais. (Ibid., p.18) Sinaliza-se no texto a criação em 1784 da Instituição Nacional de Jovens cegos que teve como fundador Valentin Hauy.O instituto tinha a preocupação com o ensino dos cegos e não era um asilo como os demais locais.Utilizavam-se letras em relevo no processo educacional até que em 1819 o oficial Barbier criasse um processo de escrita codificada por pontos salientes que foi utilizado por alunos do instituto para cegos. Este método foi adaptado por Louis Braille que criou o sistema Braille simplificando o sistema a partir de seis símbolos formados por pontos salientes. (Ibid., p.18) Em 1932 surgiu a oportunidade para o ensino de deficientes físicos e pessoas com retardo mental. Em Munique fez-se uma escola para a educação de deficientes físicos (coxos manetas e paralíticos) e a possibilidade de ensino para portadores de retardo metal foi comprovada pelo médico Itard que realizou um trabalho de cinco anos com um menino encontrado em uma floresta e apresentava retardo mental. O médico Edward deu prosseguimento aos estudos de Itard, no entanto, o ensino era em grupo. Edward fundou o primeiro internato para deficientes mentais na França com propósitos educacionais. (Ibid., p.20) A partir do histórico descrito por Mazzota observa-se o avanço na sociedade para a oportunidade de direitos a pessoas com deficiências para serem incluídos a um processo de ensino e aprendizagem. Conclui-se que ocorreu a alteração do olhar sobre a alteridade na medida em que surgiram pesquisas e iniciativas que comprovaram a capacidade destas pessoas de aprender e estes deixaram de serem vistos como inválidos e incapacitados por suas características físicas. Este fator foi possibilitado pelo atendimento e respeito às especificidades de cada sujeito e com interesse de muitos que aceitaram o desafio de tornar o acesso à educação uma possibilidade para todos. No Brasil a educação e o atendimento de pessoas especiais surgem no século XIX a partir de um decreto de Dom Pedro II que fundou o Imperial Instituto dos meninos cegos que para homenagear o professor de matemática e ex-diretor o instituto recebeu em 1891 o nome de Instituto Benjamin Constant. Em 1855 surgiu o Imperial Instituto de Surdos Mudos que mais tarde foi denominado INES (Instituto Nacional de Educação de surdos). Inicialmente contava com dois alunos até ocupar totalmente um prédio em 1856. Devido à precariedade das instalações surge o primeiro debate sobre a educação de pessoas com necessidades especiais. Temas como a importância da formação docente e do currículo foram discutidos neste encontro. Há muitas escolas e associações criadas por iniciativas públicas, privadas e por iniciativas de pais e amigos de pessoas especiais que são narradas na obra de Mazzota e desfrutam atualmente de muitos saberes e recursos para a educação e atendimentos de pessoas especiais, no entanto Beyer reflete a importância da inclusão das crianças especiais em escolas regulares. Segundo Beyer (2005, p.11) inicialmente essas crianças eram atendidas somente nas escolas especiais por professores com formação em educação especial até que a sociedade solicitasse a abertura de oportunidades em espaços comuns da sociedade. A partir deste momento ocorre a mudança do conceito de educação especial fixa-realizada em espaços circunscritos “escolas especiais” para móveis - em escolas regulares. O autor explica que a escola no inicio era para poucos desde a antiguidade e até os dias atuais há escolas que selecionam o seu público como as escolas particulares que tem como público alvo aqueles que podem pagar pelos seus estudos. A proposta da educação inclusiva seria uma escola para todos-sem exceção. A escola especial é vista pelo autor como uma escola que segrega ao acharem que o único espaço preparado para ofertar a melhor educação aos alunos especiais seja a escola especial. Elas foram fundamentais, pois inicialmente a lei de obrigatoriedade do ensino não incluía crianças especiais porque se considerava que os infantes não estariam prontos para a escola. A escola especial foi uma das primeiras a atendê-los. O surgimento das escolas especiais foi uma forma encontrada para solucionar a incapacidade ou falta de vontade do sistema escolar geral de ensinar alunos especiais. Os avanços para uma educação inclusiva foram alcançados graças a evolução na maneira de conceber o aluno especial. Byer explica que no século XIX e XX misturava-se educação e medicina. Alguns autores consideravam este modelo com muitas lacunas pedagógicas e que a educação é uma tarefa da pedagogia. O atendimento médico não poderia defini-la ou limita-la. O segundo paradigma descrito por Byer é o paradigma sistêmico que visava a homogeneidade na sala de aula.Acreditava-se que se torna menos complexo lidar os alunos especiais ao separá-lo dos alunos não especiais. O terceiro paradigma denomina-se paradigma sociológico no qual o aluno especial é visto como alguém que desvia-se das normas sociais.Há duas ideias atreladas a este paradigma :as limitações do indivíduo promovem o fracasso nas demandas da vida em sociedade e a segunda refere-se a execução das atividades pelo indivíduo e os níveis de desempenho que a sociedade estipula na qual geralmente o fracasso escolar é visto como a dificuldade do aluno em alcançar as exigências do currículo. O paradigma materialista é inspirado nos ideais marxistas e apontam a necessidade de analisar as questões sociais sobre a vida de pessoas especiais. O paradigma emergente surge na década de 70 e parte da inclusão gradual do aluno no sistema escolar para a adequação das escolas regulares ao atendimento de todos os alunos. Este novo paradigma apresentado é a educação inclusiva na qual os alunos especiais são inseridos no sistema regular que atende aos alunos de forma abrangente respeitando as diferenças sem limitar a sua capacidade de aprender. Segundo as diretrizes nacionais para a educação especial (2001, p.5) a educação é um dos pilares da vida social que além de divulgar a cultura edifica os conhecimentos necessários a prática profissional. Neste sentido a educação possui um dever relativo à diversidade- o de promover o progresso de todos no decurso educacional. Ao almejarmos uma sociedade mais justa e livre devemos ensinar desde a escola o respeito à alteridade. Afirma-se no documento (2001, p6) que a educação inclusiva muda à concepção a cerca do aluno especial. Esse deixa de ser um problema que deve ajustar-se aos “padrões de normalidade” e passa a representar um desafio para a escola que deverá adaptar-se para melhor atendê-lo. Muitas vezes pelas dificuldades de aceitação das pessoas com deficiência pela família ou comunidade os mesmos abandonam o sistema escolar. Cada ser é único e carece muitas vezes de estratégias especificas para ter acesso ao conhecimento, não para compensá-lo, mas para que o mesmo participe do processo de ensino e aprendizagem. Evidencia-se no texto legal a construção não somente de uma escola inclusiva, mas de uma sociedade inclusiva pois o acesso a todos de direitos iguais estão inseridos na concepção de democracia .”A construção de uma sociedade inclusiva é um processo de fundamental importância para o desenvolvimento e manutenção do Estado democrático.” (Diretrizes nacionais da educação especial,2001,p.20) A educação inclusiva é vista como a manutenção ao direito do discente a ter acesso a ambientes comuns na vida comunitária, na qual a comunidade os aceite, os acolha e que cada um se dedique a ofertar chances para o crescimento do discente em todas as esferas de sua vida e o caminho para determinar o acesso a oportunidades iguais e uma convivência respeito com o outro é a inclusão a escola regular. Explicita-se no documento a origem do movimento de integração escolar. A segregação das pessoas com deficiência fortalecia o preconceito com o diferente e retirava dos sistemas de ensino a responsabilidade por atender esses alunos.Havia inicialmente as “classes especiais” que preparavam os alunos para a inclusão total.Os discentes eram enviados muitas vezes a estas salas erroneamente e os alunos que eram para lá enviados estigmatizados. Só poderiam ser integrados totalmente os alunos que acompanhassem o currículo da escola e muitos que não alcançam a façanha eram excluídos e não tinham acesso a níveis mais elevados de instrução. Na nova era chamada de era dos direitos. O texto legal posiciona-se a favor da inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais em escolas regulares em todos os níveis. Para que isto ocorra é fundamental que se reflita sobre os principais direitos expostos na lei: o direito a dignidade, a busca da identidade e o exercício da cidadania. O respeito a estes três pilares básicos, para convivência humana, resgatam na sociedade a solidariedade na interação com o diferente e com o mundo. Neste processo segundo a lei todos se veem como honráveis e semelhantes. A inclusão constitui um direito para que todos independente do gênero, credo, etnia, religião, necessidades educacionais especiais; possam ter acesso à educação com total respeito as suas particularidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Observa-se a partir dos textos analisados que durante muitos anos as pessoas com necessidades especiais viveram a margem da sociedade devido ao preconceito de familiares e pessoas que não sabiam lidar com o diferente. Muitos não recebiam atendimento médico ou educacional, outros estudavam em instituições que eram internatos e perdiam o contato com a família e com a sociedade em geral. Após muitos estudos e iniciativas de instituições governamentais e de familiares de pessoas com necessidades especiais muitas mudanças ocorreram para que eles passassem a ter acesso a oportunidades iguais na vida escolar, profissional e social. Embora o ensino seja exclusivo em algumas esferas como escolas particulares que selecionam o seu público,escolas especiais que segregam atendimento e saberes que devem ser partilhados.Ocorreu o movimento pela educação inclusiva. A educação inclusiva é o caminho para que a segregação de pessoas não ocorra, pois em uma sociedade democrática todos devem ter os seus direitos assegurados e respeitos. Sobre as instituições educativas e os profissionais de educação observa-se que possuem a importante função de refletir práticas pedagógicas e estratégias que possibilitem ao educando o seu amplo desenvolvimento porque conforme fora mencionado todo cidadão tem direito a dignidade e a busca pela identidade. Quanto a identidade reflete-se também que como cada ser possui suas especificidades, as estratégias educativas devem possibilitar a todos a construção do conhecimento. Se antes o aluno adaptava-se a escola hoje a educação inclusiva propõe o desafio de a escola adaptar-se ao aluno incluído. A respeito dos educandos a relação com a alteridade permite a redução dos preconceitos e o retorno a valores fundamentais como a solidariedade e o amor pelo próximo sem a máscara da indiferença, da injustiça e da intolerância e permite ao aluno incluído sentir-se digno e igual. Se a segregação promove a baixa estima a inclusão possibilita o reconhecimento por parte do incluído de que ele pertence a sociedade. Conclui-se que a educação deve ser um direito de todos, dever do Estado e da família cuja oferta na rede pública de ensino é realizada para o bem estar de todos. A inclusão é a vitória da democracia sobre a indiferença. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRASIL. Ministério da educação. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na educação básica. Brasília: MEC/SEESP, 2001. BEYER,Hugo Otto.Inclusão e avaliação na escola de alunos com necessidades educacionais especiais.Porto Alegre:Editora Mediação,2010 MAZZOTA, M.J.S.Educação especial no Brasil:historia e políticas públicas.São Paulo:Cortez,1996.

INTERDISCIPLINARIDADE E A FRAGMENTAÇÃO DE SABERES

por Jandiara Fernanda Silva de Paiva RESUMO O presente artigo tem por objetivo analisar a preponderância da interdisciplinaridade para à construção do conhecimento. Este estudo foi realizado a partir de uma análise bibliográfica sobre textos de revistas educativas e artigos que narram experiências sobre a integração entre os saberes. PALAVRAS-CHAVE: intertextualidade, fragmentação e ensino. RESUMEN El presente artículo tiene por objeto analizar la importancia de la interdisciplinaridad para la construcción del conocimiento. Este estudio fue realizado a través del análisis bibliográfico sobre textos de revistas educativas y artículos que narran experiencias sobre la integración entre los saberes . PALABRAS CLAVES: intertextualidad, fragmentación y enseñanza INTRODUÇÃO A fragmentação disciplinar impossibilita uma ampla análise do objeto estudado. Há muitos saberes que estão interligados e possibilitam ao educando construir o conhecimento de forma eficaz. Com isso, o presente trabalho tem por objetivo analisar a importância da integração entre os saberes que se inter-relacionam com o ensino de língua materna. Esta pesquisa foi realizada a partir da análise bibliográfica de artigos que dissertam sobre práticas educativas que reúnem diferentes saberes para a compreensão ampla do conhecimento. Acredita-se que este trabalho fomente a reflexão sobre a interdisciplinaridade não como mera justaposição de disciplinas, mas como uma abordagem que permita a autonomia intelectual do educando no processo de busca do conhecimento. Espera-se que o aluno não seja visto como tabula rasa a ser preenchida, mas como o principal agente do processo de ensino aprendizagem. A mera assimilação de regras gramaticais e concepções estéticas de períodos literários não permitem ao educando a reflexão sobre o que apreende é necessário segundo Morin(2003,p.21) aguçar a dúvida e a atitude questionadora no educando e que os mesmos organizem os saberes a partir de princípios que os liguem para atribuir-lhes sentido. 1. GNOSIOLOGIA DA INTERDISCIPLINARIDADE A autora Olga Pombo (2003) afirma ser difícil falar sobre interdisciplinaridade porque as pessoas não a praticam e não sabem o que é e não a teorizam. A palavra segundo ela se aplica a diferentes contextos, mas não há um conceito estável. Cita-se como exemplo na obra de Pombo (2003) a aplicação do conceito no campo da investigação científica e dos novos saberes para referir-se a troca de conhecimentos entre disciplinas, no contexto pedagógico para falar sobre questões de ensino e na esfera midiática quando os meios de comunicação buscam abordar perspectivas diferentes sobre um fato reunindo profissionais de áreas diferentes ou no campo da gestão empresarial para planejar objetos através de uma equipe interdisciplinar e sempre que surgem limitações nas áreas do conhecimento ao defrontar-se com disciplinas novas que não se estejam mapeadas por áreas especificas se recorre ao termo. A respeito dos estudos disciplinares afirma Olga (2003) que embora esta perspectiva tenha permitido muitos avanços este modelo é insuficiente, pois há muitas coisas nas ciências que não se adéquam a esse sistema. Segundo Durand (apud Pombo 2003) a abordagem interdisciplinar alcança camadas mais profundas na realidade cognoscível porque a ciência não deve pensar o sujeito mas o objeto em toda a sua complexidade.Afirma também que a interdisciplinaridade permite novos objetos de estudo que só podem ser analisados e constituídos numa perspectiva interdisciplinar. Pombo (2003) afirma ser necessário o alargamento do conceito de interdisciplinaridade que surge até mesmo no ponto de vista humano na medida em que até o conceito de identidade está mudando por vivermos em um mundo em que as fronteiras se misturam. 2. A FRAGMENTAÇÃO DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA Há problemáticas pertencentes ao ensino e aprendizagem de língua portuguesa que são apontados nos parâmetros curriculares nacionais do ensino médio (2000) e que durante muito tempo integraram e ainda hoje pertencem à tradição do ensino da língua. A primeira questão apresentada refere-se à fragmentação dos saberes. Os parâmetros curriculares nacionais problematizam a divisão dicotômica do ensino da disciplina em ensino de língua e literatura, realizado na LDB n 5.692/72. A partir desta dicotomia ocorreu a fragmentação curricular dos elementos que compõe o ensino de língua portuguesa: gramática, redação e estudos literários. “A novidade está em antever a disciplina, no eixo interdisciplinar... A disciplina na LDB n° 5692/71 vinha dicotomizada em língua e literatura (com ênfase em literatura)”. Em segundo lugar observa-se na organização de materiais didáticos e sistemas de ensino como os pré-vestibulares a reprodução do modelo apresentado na lei. A terceira problemática apontada é a manutenção de professores especialistas nas escolas para o ensino de língua ou literatura e a existência de disciplinas como leitura/literatura, produção de texto e estudos gramaticais separadamente como se não fossem interligados. Observa-se a partir das problemáticas apontadas a importância da integração dos elementos que compõe a língua portuguesa no processo de ensino e aprendizagem de língua materna incluindo a relação entre o componente sócio cultural e o aspecto discursivo de textos sobre cultura. Há diferentes indícios no documento que explicitam a importância dos elementos socioculturais para o ensino: o documento enfatiza a importância da língua como elemento fundamental da comunicação que é compreendida como um processo de interação social ,a língua, neste processo acima descrito, é um elemento identitário ao definir os interlocutores enquanto indivíduos assim como as artes constitui a identidade do educando justificando-se a importância da relação entre as práticas discursivas e os conhecimentos sócios –culturais, a mesma não pode ser dissociada do seu contexto social porque não há razão para separá-la de sua natureza. Observa-se que a leitura além do prazer e da apreciação estética apresenta as ideologias da sociedade da qual pertence. Este fato é mencionado entre os ideais dos PCNS (parâmetros curriculares nacionais) de língua portuguesa que destacam a relevância do conhecimento do patrimônio cultural brasileiro e dos valores culturais para a formação discente. Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam como objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de: Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País; Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais... Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p.5) Esses objetivos revelam a necessidade de uma prática pedagógica que não seja mera apreciação estética ou ensino de estruturas gramaticais isoladas de seu contexto. A leitura a partir dessa perspectiva adquire uma concepção estético-cultural que evoca as ideologias que constituem o texto e integram a visão de mundo do leitor. 3. ABORDAGENS INTERDISCIPLINARES Em seu artigo Discurso e cultura na aula de língua materna: uma abordagem discursiva da textualidade, a professora Luciana Cristina Ferreira Dias propõe abordar a brasilidade ou a identidade nacional nas práticas letradas em cursos de formação de professores. A professora afirma que o professor de língua deve pensar sobre o seu país e sua literatura amplamente desconstruindo visões estereotipadas, reducionistas e cristalizadas sobre o Brasil presentes em nosso país, através da mídia, e no exterior. O arcabouço teórico utilizado para fundamentar o trabalho compõe-se dos pressupostos teóricos da análise do discurso de Pêcheux e Orlandi e da proposta muldimensional- discursiva de Serrani. Dias propõe uma abordagem discursiva de um ensaio de Marilena Chauí a partir da conjunção do componente cultural, a língua enquanto discurso e os processos sócio-históricos da língua. Na primeira parte do artigo denominada: Implementação da proposta muldimensional,a autora define a proposta multidimensional em oposição ao conceito de currículo unidimensional segundo Stern.A professora diz que o currículo multidimensional segue diferentes dimensões relacionadas entre si e afirma que para elaborar um planejamento nesta perspectiva é preciso “um olhar mais profundo sobre os conteúdos e práticas desenvolvidas em sala de aula”. Após a conceituação do tipo de planejamento realizado, Dias formula um esquema dentro desta proposta composto dos seguintes elementos: 1- intercultural – dividido em: territórios e espaços, populações, grupos sociais e dados sócio históricos, realizações artísticas, científicas e ecológicas; 2-componente de língua e discurso e 3-componentes de práticas verbais. Na segunda parte do artigo, a professora apresenta o texto da autora Marilena Chauí intitulada: Brasil jardim do paraíso e na terceira parte, denominada Uma abordagem discursiva da textualidade: língua e discurso, Dias apresenta um planejamento construído a partir do esquema anteriormente descrito. A professora propôs a partir da leitura do texto as seguintes atividades: componente social cultural (comparação a partir dos filmes Turistas e Abril despedaçado sobre os aspectos: territoriais, espaciais e temporais, análise de pessoas e grupos sociais e legados socioculturais), sobre os componentes língua e discurso propõe examinar a materialidade discursiva a partir das construções sintáticas e o gênero discursivo ensaio e obras cinematográficas e o a respeito das práticas verbais sugere a realização de oficinas de leitura e escrita de ensaios críticos. A autora do artigo descreve o funcionando de algumas construções sintáticas no ensaio para exemplificar, no estudo de casos, como as estruturas gramaticais do ensaio foram analisadas dentro de uma perspectiva discursiva e por último explicou a importância de trabalhar outros discursos integrados devido a intertextualidade entre o ensaio de Chauí e o discurso de Caminha,poemas de Olavo Bilac , Afonso Celso e o filmes trabalhados em sala de aula. A autora a partir do estudo de casos e a exposição de seu planejamento buscou dialogar sobre a não fragmentação dos componentes: língua e literatura, língua e cultura, identidade e linguagem no estudo de língua portuguesa como língua materna e buscou refletir sobre a diversidade cultural brasileira sobre diferentes vozes e discursos. A abordagem adotada pela professora em sua praxe demonstra a junção de diferentes disciplinas como língua portuguesa, historia e geografia, porém não como saberes isolados, mas em um todo organizado permitindo aos educandos refletirem sobre sua identidade. Observa-se nesta abordagem a importância da literatura assinalada por Morin(p.48) a de ensinar sobre a vida e não somente sobre as regras gramaticais e promover a descoberta de si. “Literatura, poesia e cinema devem ser considerados não apenas, nem principalmente, objetos de análises gramaticais, sintáticas ou Semióticas, mas também escolas de vida, em seus múltiplos sentidos...”. A revista nova escola narrou a iniciativa de algumas professoras do Colégio Santa Maria mediante a problemática do apagão no Brasil em 2001, as professoras se reuniram a partir da ideia da professora de ciências de construir um aquecedor solar que estimulou as colegas a realizar um projeto conjunto que segundo a revista é realizado de acordo com o processo de montagem do aquecedor. A professora de geografia ensinou o clima e o uso da bússola para nortear o posicionamento das placas sobre o teto das casas, a professora de matemática ensinou grandezas para medir o tamanho das placas segundo o volume de água das caixas de água e pediu uma pesquisa sobre o consumo de energia dos eletrodomésticos. A professora de historia discutiu com a turma as razões econômicas que promoveram a destruição do meio ambiente, a professora de ciências pesquisou com a turma fontes de energia para concluírem quais causavam menos danos ao meio ambiente e a professora de religião mostrou a diferença entre a vida dos alunos das escolas e das comunidades menos abastadas e os alunos tiveram a ideia de doar os aparelhos construídos a população. A experiência de Santa Maria demonstra a importância da integração dos saberes não somente para o processo de aprendizagem, mas para a solução de problemas ecológicos e humanísticos da comunidade na qual a escola está inserida. Esta atividade proposta alcança um dos desafios de Morin (2013,p.18) a respeito da reforma do ensino e do pensamento o desfio cívico no qual o discente resgata a solidariedade com a cidade e os cidadãos que nela vivem. “O enfraquecimento de uma percepção global leva ao enfraquecimento do senso de responsabilidade – cada um tende a ser responsável apenas por sua tarefa especializada –, bem como ao enfraquecimento da solidariedade – ninguém mais preserva seu elo orgânico com a cidade e seus concidadãos.” É necessário que a educação exerça a formação cidadã que promova a solidariedade e o compromisso do educando com a sua sociedade, com seu próximo e com o meio ambiente. A necessidade de motivar os alunos a aprender sobre o sistema respiratório levou uma professora de Goiânia a escrever um projeto interdisciplinar com uma professora de língua portuguesa que trabalha na mesma escola que ela. As professoras sugeriram a elaboração de historias em quadrinho sobre os conteúdos que os alunos aprenderam foi necessário que estudassem alguns aspectos linguísticos como estruturas de diálogos e figuras de linguagem e os alunos precisam conhecer os conteúdos ensinados nas aulas de ciências para elaborarem os quadrinhos. Os alunos sugeriram temas para os quadrinhos: os danos causados a saúde pelo cigarro e poluição. As professoras afirmaram que aprenderam muito porque precisaram estudar sobre o tema. Esta experiência embora seja mais simples promoveu o conhecimento sobre o corpo, os aspectos linguísticos e sobre o gênero historia em quadrinhos além de promover a reflexão sobre os malefícios do cigarro e da poluição. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da análise dos textos observou-se que a interdisciplinaridade permitiu aos alunos mencionados no artigo de Dias conhecer as características geográficas, sociais e históricas de seu país além de possibilitar a aprendizagem sobre diferentes gêneros e aspectos linguísticos característicos de cada texto. Os educandos aprenderam mais sobre o seu país e sobre a sua identidade ao refletirem sobre a cultura brasileira através de diferentes textos escritos e filmes. Os alunos de Santa Maria aprenderam a importância para o meio ambiente do consumo energético a partir de soluções eco sustentáveis como os aquecedores solares, aprenderam grandezas, medidas, o gênero entrevista, refletiram sobre outras realidades sociais e acima de tudo foram solidários com o seu próximo. Os alunos de Goiânia foram motivados a aprender a partir de suas redações reunindo saberes sobre o seu idioma e ciências, refletiram sobre a poluição e os malefícios do cigarro através de aulas divertidas. As experiências realizadas pelos educadores demonstraram que é possível reunir saberes para promover um ensino que possibilite soluções a problemas sociais e ecológicos e promover a importância da saúde e do conhecimento sobre sua cultura. Os educadores em seu oficio promoveram a educação cidadã na qual os alunos são conscientes de quem são e da importância da sua ação sobre a sociedade. Observou-se que a língua portuguesa não foi utilizada com o objetivo fundamental de decorar estruturas descontextualizadas ou características estéticas de um determinado período. Esta foi fundamental para a elaboração e análise de discursos segundo as características de cada gênero. Os aspectos gramaticais foram aplicados em um contexto real para a compreensão e produção de textos. A educação brasileira precisa de ações que promovam o raciocínio crítico estimule os alunos a aprender, os tornem cidadãos solidários comprometidos com a sua saúde, com o seu próximo e com a ecologia e que acima de tudo conheçam a realidade sociocultural da sociedade em que vivem. É necessário pensar novas formas de ensinar e aprender. É fundamental deduzir, induzir, argumentar, discutir e pensar de forma lógica e formas mentes e almas bem constituídas, ordenadas, reflexivas para repensar a realidade local e global. A educação pode fomentar o comportamento inquietante e curioso de mentes aguçadas a solucionar problemas. Precisamos de dúvidas a serem investigadas e menos verdades despedaçadas.O ensino deve oferecer a curiosidade sobre o interiço é fundamental ensinar a aprender e conhecer mais ao ensinar. REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA: CAVALCANTE, Meire. Interdisciplinaridade: um avanço na educação. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/interdisciplinaridade-avanco-educacao-426153.shtml DIAS,Luciana Ferreira.Discurso e cultura na aula de língua materna: uma abordagem discursiva da textualidade.2008.disponível em: http://seer.bce.unb.br/index.php/horizontesla/article/view/4849 MORIN,Edgar.A cabeça bem feita: repensar a reforma,reformar o pensamento. 8a ed. -Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,2003.2003 POMBO,Olga.Epistemologia da interdisciplinaridade..2013.disponível em: http://www.uesc.br/cpa/artigos/epistemologia_interdidciplinaridade.pdf Parâmetros curriculares nacionais do ensino médio.2000. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/14_