quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sobre a aprendizagem e o prazer da leitura

por Jandiara Fernanda Silva de Paiva. RESUMO O presente trabalho tem por objetivo analisar como professores de diferentes segmentos realizam atividades com textos literários. Alguns estudiosos afirmam que as aulas que enfatizam biografia de autores, período histórico e o contexto cultural seriam responsáveis pelo desinteresse pela leitura enquanto alguns autores afirmam que o processo histórico e cultural influencia na compreensão do texto, afirmam que sem o conhecimento dos mesmos, interpretações errôneas seriam realizadas. Para observar as crenças metodológicas e sua relevância para o desenvolvimento de compreensão leitora será realizada a coleta de dados Através de entrevista será compreendida a realização da prática docente em diferentes instituições e em diferentes segmentos. O arcabouço teórico de Vygotsky, Saussure e Bakhtin serão utilizados para compreensão do processo de ensino e aprendizagem a partir de diferentes concepções sobre língua e linguagem. INTRODUÇÃO Como afirma o cancioneiro popular o pensamento embora pareça pequeno nos faz voar. A leitura tal qual o pensamento nos faz viajar por ambientes nunca antes conhecidos, desenvolve o pensamento crítico e é fundamental para o exercício da cidadania porque o bom leitor reinterpreta a realidade a qual está inserido e age de maneira autônoma sabendo buscar os seus direitos. No entanto, muitos questionamentos inspiraram diferentes trabalhos que discutem o pouco interesse do educando pela leitura. Devido ao fracasso escolar, muitas leis que regem a educação foram criadas com o objetivo de melhorar o sistema educacional brasileiro. A importância das leis será discutida no primeiro capítulo com o objetivo de analisar diferentes concepções sobre o ensino de língua materna e literatura. A concepção de língua e linguagem influi diretamente no tratamento atribuído a leitura. As concepções de Saussure e Vygotsky são fundamentais para o processo de ensino e aprendizagem e ensino de língua portuguesa e literatura. Através da interpretação e produção dos signos toda a forma de pensamento e cultura de uma sociedade é representada e toda ideologia é compreendida. Por isso, no segundo capítulo serão abordadas em linhas gerais: as concepções sobre língua, linguagem e ensino e no terceiro a representação através de signos e a importância da apreciação da arte literária. A função da literatura e a forma como a crítica a avaliava será analisada a partir das concepções de Antoine Compagnon.Com o objetivo de descrever o objeto de estudo do presente trabalho , sua função para a sociedade e a importância da leitura para a formação de cidadãos críticos e conscientes. Através de uma entrevista realizada com professores de diferentes segmentos serão expostas as concepções sobre o ensino e aprendizagem de literatura e os recursos artísticos empregados nas aulas que possibilitam a compreensão da literatura como elemento que integra a arte de determinado período histórico de uma sociedade. PERSPECTIVAS ATUAIS SOBRE O ENSINO DE LITERATURA. No presente capítulo serão expostas as diferentes concepções de ensino e aprendizagem de língua portuguesa e literatura, presentes em documentos institucionais já que as orientações e propostas educacionais são documentos que norteiam o ensino de Língua materna e literatura. Muitos professores paulistas uniram suas experiências e os conhecimentos adquiridos através da lingüística para elaborar uma proposta de ensino de língua portuguesa. O objetivo central era repensar a eficácia e a relevância da prática docente tornando o ensinar uma ação reflexiva. Assim surgiu a Proposta curricular de 1988, um documento em que a concepção sobre a linguagem é uma ação humanística, relativa a uma sociedade inserida em um momento histórico. A proposta de língua portuguesa não deve ser lida como uma solução, um receituário ou um rol de conteúdo a ser seguido; ela pretende, antes de tudo, ser um estímulo à reflexão, visando a uma mudança de ponto de vista e de atitudes em relação à linguagem e a língua e a uma consciência do papel do professor de Língua Portuguesa, para que seja capaz de adequar suas ações a esse papel. (Proposta Curricular para o ensino de língua Portuguesa, 1988, p.22). Esse documento concebe a linguagem como uma ação que funciona de acordo com leis que se referem tanto a constituição como a compreensão de um sema e as leis que regem a interlocução. O aluno é um agente já que este discursa e produz enunciados na prática discursiva em língua materna. É preponderante nessa proposta o contexto do educando e do discurso além de se referirem a interação exercida pelos emissores, receptores e a mensagem em si; considerando os receptores co-produtores dos significados expressos no texto. Outro documento importante criado com o objetivo de orientar a prática docente são os Parâmetros Curriculares Nacionais, que aparecem no cenário educacional em 1996. Havia preocupação pelo ensino da leitura e da escrita já que se atribuiu a estes aspectos a responsabilidade pelo desempenho insatisfatório dos alunos na escola. A linguagem é vista como uma prática social, realizada por diversos indivíduos e objetiva alcançar um fim (num processo de comunicação exercido em grupos sociais diversos ao decorrer de diferentes momentos da história). A língua é descrita como um sistema que possui uma face cultural e uma face individual (proporciona a compreensão da realidade e do individuo que a utiliza). “A linguagem é uma forma de ação interindividual orientada por uma afinidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos da história.” (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1996, p.7) A secretária estadual de educação do Rio de Janeiro elaborou um documento alicerçado nos PCNS e nas exigências dos exames nacionais. O documento intitulado, Currículo Mínimo, entrou em vigor no ano 2011 e possui como instrumento de avaliação da qualidade do ensino a avaliação denominada “SAERJINHO”. Observa-se o anseio de unificar o ensino de língua portuguesa criando-se uma base comum para o ensino de língua portuguesa e literatura na rede estadual de ensino no estado do Rio de Janeiro. No documento consta o reconhecimento das diferentes realidades e públicos e assegura o respeito às especificidades, no entanto, julga-se necessário o estabelecimento de alguns parâmetros. Sobre a concepção de língua, o documento a define como um instrumento fundamental para a ação interindividual dos discentes em diferentes situações e tem por finalidade desenvolver as habilidades lingüísticas fundamentais que são: ler, escrever, compreender enunciados orais e discursar de maneira autônoma sobre diferentes temas. Observa-se a primazia por diferentes gêneros textuais porque todos compõem a realidade do aluno que deverá compreendê-los e produzi-los. Em todos esses níveis, vale notar que buscamos conscientemente abrir um leque variado de gêneros e tipos textuais que efetivamente circulam à nossa volta, expandindo, atualizando e aprofundando as possibilidades de uma inserção social útil e também prazerosa no mundo letrado. Fazem parte desse universo, portanto, textos tão diversos como quadrinhos, diários, blogs, cartas, e-mails, propagandas, contos, crônicas, romances, poemas, reportagens, entrevistas, bulas, receitas, editoriais e artigos científicos. (http://www.educacao.rj.gov.br/arquivos/portugues_livro.pdf) Observaram-se em ambas as propostas o aspecto social da linguagem que permite a comunicação entre os indivíduos de uma sociedade. A segunda proposta está alicerçada na busca do letramento ser uma ação prazerosa, fato que ressalta a importância de deleitar a arte no processo de aprendizagem. CONCEPÇÕES SOBRE LÍNGUA, LINGUAGEM E ENSINO. O processo de ensino e aprendizagem de língua materna e literatura estão diretamente relacionados à concepção de língua, fala e linguagem. Neste capítulo as concepções sobre língua, linguagem e fala serão expostas com o objetivo de refletir a importância destas concepções para o ensino de literatura brasileira. C.Franchi (1991 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) afirma que o ser humano não concebe a linguagem como instituição já Saussure afirma que a língua é convencional. Os falantes utilizam estas convenções para comunicar-se com os demais indivíduos dos grupos os quais pertencem, portanto, a linguagem para Saussure é uma instituição. O ensino de língua materna e literatura estão veiculados a concepção de linguagem. Geraldi (1996 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) afirma que a linguagem é: “expressão de pensamento, instrumento de comunicação e forma de interação.” Segundo Poliana Bruno Zuin e Claudia Raimundo Reyes (2010) estás três concepções estão relacionadas a três correntes da lingüística: a gramática tradicional, o estruturalismo e a lingüística da enunciação. O objeto de estudo dos estruturalistas é a língua. Saussure (1995) definiu a língua como um sistema composto de convenções que nascem nos grupos sociais instituídas com o objetivo de possibilitar a comunicação entre os indivíduos. Saussure diferencia língua e fala e explica que a fala é uma forma de articular os elementos convencionais da língua. Na lingüística da enunciação a linguagem é descrita a partir das relações interpessoais por indivíduos de uma mesma sociedade que são agentes do processo de interlocução. A semântica é preterida ao invés da gramática. De acordo com Poliana Bruno Zuin e Claudia Raimundo Reyes esta concepção de linguagem também é denominada processo de interação e mediação. Ressaltam a importância da semântica porque através da semântica atribuímos sentido aos enunciados e expressamos os conteúdos mentais. “Vygotsky ao analisar a relação entre pensamento e a linguagem, afirmava que o método deste problema não poderia ser outro a não ser análise semântica, a análise do aspecto significativo da linguagem.” (REYES, Claudia Raimundo; ZUIN,Poliana Bruno 2010) Esta concepção da linguagem mostra que a linguagem não é estática porque é um processo de interação entre o homem e a comunidade lingüística. Há alguns estudos que discorrem sobre a importância da semântica para a compreensão textual e acrescentam outros fatores importantes para a análise textual. Silva (1998 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) explica que na escola a semântica está muitas vezes associada à busca de significados no dicionário. Fonseca (1999 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) ressalta a relevância de inserir nos estudos da significação: o homem e o contexto social (histórico e geográfico). Carvalho (1984 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) afirmava que é preponderante, para a análise semântica, a definição de significação (elemento que integra o significado lingüístico) Smolka (1991 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) diz que a funções do signo e da linguagem estão relacionadas a três fatores: a linguagem, o pensamento e o contexto. Araújo (2000 apud REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno) concluiu que a problemática do ensino está relacionada à ausência de atividades que utilizem “significado” e “sentido” para mediar às atividades. A ARTE LITERÁRIA: APRECIÁ-LA OU APRENDÊ-LA? O presente capítulo tem por objetivo descrever a importância da interpretação de texto para o processo de ensino aprendizagem, para a prática social e crescimento pessoal do indivíduo. Serão analisados os trabalhos que dissertam sobre o ensino de literatura nas escolas brasileiras observando: a didatização da arte literária, as fronteiras que delimitam a interpretação do texto literário e o prazer pela apreciação da arte na escola. A língua e a literatura são componentes da cultura de um povo, relacionam-se diretamente com a sociedade e o contexto histórico vivenciados pelos integrantes dos grupos sociais que as recria. Muitos estudiosos afirmam que o prazer pela leitura subjaz ao cientificismo realizado por muitos professores no ato da interpretação da arte literária. Muitos afirmam que a análise minuciosa de cada parte que compõe o texto geraria o desinteresse do aluno pela leitura, assim como a primazia do estudo do período histórico e os estilos literários sobre a percepção e inteligibilidade do texto tornaria o aprender desinteressante. As fronteiras são necessárias para que a interpretação não seja mera extrapolação, mas o simples cientificismo desprovido de prazer gera o desinteresse pela arte literária. Delia Lerner(2002) afirma que ler é adentrar espaços possíveis e questionar a realidade. O leitor deve afastar-se do texto adotando uma consciência crítica perante a compreensão ao que está expresso no texto e o que se pretende expressar e deverá ser subentendido. ´”Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer.” Através desta afirmação observa-se a importância da leitura objetiva, no entanto, está postura depende da função da leitura (ler para conhecer, ler por prazer ou ler para reutilizar determinado gênero textual no cotidiano). Sobre a extrapolação literária, Garcia Marquez afirma que jamais acreditou que o autor dissesse nada além do que está escrito. Explica que crê em feitos impossíveis na realidade, mas possíveis no mundo da ficção quando são descritos pelo autor como se realmente tivessem acontecido. Delia Lerner crê na teoria de que a arte literária é aberta (fato que justificaria a multiplicidade de interpretações) e concluí que a ficção de interpretar na escola inicia com a imposição de uma interpretação. Peter Hunt diz que a leitura é um processo de recriação. O leitor acrescenta códigos ao texto assim como interpreta os códigos do texto. “Ler é uma interação, e entendemos os textos tanto em relação a seus códigos como aos códigos que trazemos a ele.” Segundo Iser a preponderância da literatura está no amadurecimento da consciência crítica do leitor, recodificando as perspectivas do leitor. “o trabalho literário mais eficaz é aquele que obriga o leitor a uma nova consciência crítica de seus códigos e expectativas habituais”. Para Peter Hunt são relevantes para a análise textual: o estilo e a estilística. Define a estilística como percepção da obra literária ressaltando a relevância do estilo como instrumento de análise da originalidade de texto, os elementos que compõe o texto- seus cromossomos- podem ser utilizados para analisar o livro em lugar de julgá-lo pela capa, mas o estilo é a superfície é importante julgar a estrutura- a narrativa. Mario Quintana afirma que a função do autor é criar enigmas que serão desvendados pelo leitor. Qual é a função do educador ao conduzir a leitura e interpretação de um texto? “A verdade é que a minha atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar e não pensar por ele.” (Mario de Andrade, Pausa) Garcia Marquez destaca a importância de seus professores para ser um bom leitor, relembra com carinho dois professores que foram importantes para o desenvolvimento da habilidade de compreensão leitora para ele: a professora que o alfabetizou e com doçura e humildade lia poemas e um professor de literatura que conduzia a turma a ler sem interpretações extravagantes. Este testemunho de Garcia Marquez demonstra a importância de o professor ser mediador de ensino em oposição à visão tradicional do ensino bancário, teoria criticada por Paulo Freire em Pedagogia da autonomia. O autor demonstra a importância de o aluno ser autônomo no processo de aprendizagem. Poliana Bruno Zuin e Claudia Raimundo Reyes (2010) destacam três elementos de mediação na aprendizagem: a família, a escola e o professor. A família é relevante por ser a primeira instituição que o ser participa e atua, a escola é uma instituição responsável pela difusão e sistematização de conhecimentos científicos e o professor (mediador intencional) é um agente que faz o intermédio entre os saberes estabelecidos pela ciência e os saberes adquiridos no dia-a-dia. É preponderante para o professor mediador o conhecimento do idioma utilizando o registro culto da língua, o conhecimento da matéria e das estratégias de ensino. Desta forma, cabe aos professores valorizarem e ensinarem a língua padrão, de maneira a facilitar a escrita de seus alunos e contribuir para a sua aprendizagem. Assim sendo, o ensino da língua materna deve ser contextualizado, reflexivo, em conjunto, e, principalmente, o professor deve explicar o porquê de tal ensino e aprendizagem. (Poliana Bruno Zuin e Claudia Raimundo Reyes ,2010) Vygotsky e Bakhtin ressaltam a importância do signo no processo interpretação. Afirmam que o signo é o mediador dos processos mentais porque através da relação do individuo com a sociedade em que vive é que o homem cria códigos e os interpreta. Bakhtin afirma que o signo é ideológico porque todas as ideologias são compostas por signos, logo a linguagem é uma ideologia. “tudo que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia.” (1995, p.31) O conceito de linguagem a partir desta concepção de signo é que a linguagem é um elemento de mediação entre o homem e a realidade. Segundo Vygotsky (1995) os signos são constituintes do sistema psíquico que participam dos processos mentais. Através do signo o homem recorda e difunde a cultura construída pela sociedade. Para Vygotsky (1993) o signo é intermediário no processo de interação entre pensamento e linguagem. Observa-se a partir dos pressupostos teóricos de Peter Hunt que o prazer da percepção da arte e uma consciência crítica sobre a mesma é possível e necessária. A experiência de Garcia Marquez e os estudos de Poliana Bruno Zuin e Claudia Raimundo Reyes demonstram a importância de o professor ser mediador de ensino, conduzindo o aluno a interpretar pistas fornecidas pelo autor sem interpretações que extrapolem as possibilidades oferecidas pelas unidades significativas e ao que se pode responder ao texto. A partir dos pressupostos teóricos de Bakhtin e Vygotsky compreende-se a importância da linguagem como elemento de mediação entre o individuo e a sociedade. A linguagem é preponderante para aquisição de conhecimentos, é responsável pela formação da personalidade e das categorias mentais como a consciência e o pensamento. A FUNÇÃO DA ARTE LITERÁRIA Há muitos trabalhos que discorrem sobre a razão de ensinar literatura, os processos de ensino aprendizagem e a relevância da literatura para a sociedade. Antoine Compagnon ressalta a dificuldade em explicar o porquê e preocupasse em determinar o como ensinar literatura em suas aulas. “(...) Ora, o porquê é mais difícil de tratar. Por isso, tentarei responder inicialmente ao como.” (Compagnon,2009 p.13) O autor versa sobre diferentes teorias sobre literatura e críticas literárias que abrangem perspectivas diferentes. Explica a análise da literatura a partir concepção clássica, concepção vigente no século XVIII e que se diferencia da crítica empregada no século XIX sobre análise do contexto social e a época para analisar as qualidades estéticas e os saberes presentes nas obras de arte. No fim do século XVIII, precisava, ‘ainda se procurava nas obras [...] exemplos de gosto e esclarecimentos tendo-se em vista teorias clássicas consagradas’, mas no início do século XIX ‘começou-se a contestar as teorias até então reinantes’ e associar as obras-primas, suas belezas bem como seus defeitos, ‘às circunstâncias da época, ao contexto social. O autor contrapõe a tradição teórica em que a literatura seria “una e universal” à tradição histórica que analisa desde o aspecto sincrônico ao diacrônico. Há a oposição entre retórica e poética que abrangem aspectos mais gerais da obra e a história literária e a filologia ocupam-se da singularidade da obra (a autoria e características do texto assim como seus movimentos ou escolas e o contexto). “A tradição teórica considera a literatura como uma e própria, e presença imediata, valor eterno e universal; a tradição histórica encara a obra como outro, na distância de seu tempo e de seu lugar”. (Compagnon, 2009 p.14) Sobre o ensino Compagnon (2009) afirma que Roland Barthes ensinava literatura através da emoção e da razão. O autor afirma que ensinará utilizando a teoria e a história como maneira e a crítica como razão. Através desta afirmativa observa-se a importância da teoria da literatura e a história da sociedade para a compreensão da arte literária. Segundo Proust a importância da arte é expor quem somos e ver quem os outros são. O autor ressalta que o universo do outro é tão diferente do nosso e seriam desconhecidas por nós assim como o ambiente lunar. ”Somente pela arte... podemos sair de nós mesmos, saber o que enxerga outra pessoa desse universo que não é igual ao nosso, e cujas paisagens permaneceriam tão ignoradas de nós como as por acaso existentes na lua.” Segundo Francis Bacon a literatura torna o homem: completo, preciso e alerta a escrita. A leitura faz com que o homem seja verdadeiro, o torna melhor do que era. A partir desta concepção observa-se a relevância da literatura para que o individuo seja um bom escritor além de um bom leitor. Esta visão redentora da literatura ressalta a visão de pessoas melhores devido à leitura e de uma sociedade melhor. Sobre o poder da literatura. Compagnon (2009) recorre a quatro explicações: a mimesis -representação, ficção, conceito clássico introduzido por Aristóteles- o aprender através da ficção; catharsis -purificação ou apuração das paixões- responsável pela melhoria da vida, a segunda explicação é sobre o aprender (instruir-se) com prazer; a terceira fala sobre a correção- a melhoria da linguagem através da supressão dos erros e a quarta explicação é a obrigatoriedade de expressão. Embora a literatura seja depreciada, Compagnon (2009) diz que a literatura inspira, é salutar para personalidade, amadurecimento afetivo, para ética prática e especulativa, é um instrumento de estudo do outro e meio de autoconhecimento que torna o ser autônomo. A literatura é salutar para o individuo, para a sociedade e para a vida. Além do deleite proporcionado pela arte, a mesma é um instrumento de estudo da sociedade, da história e do homem. Através da visão redentora da leitura, a arte por promover a reflexão é um instrumento que promove a melhoria do homem e da sociedade em que vive. ANÁLISE DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM. Uma pesquisa realizada entre os professores do ensino fundamental, médio e ensino superior foi realizada, com o objetivo de analisar a visão dos professores sobre a compreensão leitora, a apreciação da arte literária e a história da arte e a importância dos itens anteriormente citados para a formação do público leitor.Os professores entrevistados integram a rede pública ,privada e cursos livres. Observou-se entre os professores entrevistados que a maioria julga fundamental a apreciação do texto para que seja interpretado. Uma entrevistada considerou importante e uma crê que seja irrelevante. Sobre a história da sociedade, apenas um docente atribuiu nove para descrever a relevância deste item. Os demais professores atribuíram dez ao analisar a importância deste aspecto. Três professores atribuíram dez ao aspecto estilo literário, um atribuiu nove, um atribuiu oito e um sete. A vida e a obra do autor foi um aspecto considerado muito importante por três professores que atribuíram o valor dez para justificar a relevância do item, enquanto três atribuíram nove a este aspecto. Todos os professores entrevistados utilizam recursos áudio visuais em suas aulas e quatro além dos recursos áudio visuais utilizam quadros, fotografias e gravuras. CONCLUSÃO A partir da entrevista realizada observou-se que os docentes acreditam na importância da apreciação do texto literário para a compreensão do mesmo assim como o estilo literário. Peter Hunt afirma a importância do estilo e de seu estudo (a estilística) para a compreensão e apreciação do texto literário. a concepção dos professores entrevistados ressalta a relevância dos pressupostos de Hunt para o processo de ensino e aprendizagem de literatura. O contexto social e político foi um aspecto valorizado durante a entrevista. Concepção que está de acordo com as teorias de Vygotsky que afirma que todo o signo é um elemento de mediação entre o ser e a sociedade. Através dos signos toda a ideologia de uma sociedade é interpretada, todas as convenções são instituídas e todos os processos mentais são realizados. A utilização de diferentes recursos e modalidades de arte foi citada para a realização das aulas como recursos motivacionais e que ampliam a compreensão do texto e de todos os códigos que são a ele atribuídos e dele apreendidos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CURRÍCULOS MINIMOS. Disponível em: < http://www.educacao.rj.gov.br/arquivos/portugues_livro.pdf>. Acesso em: 2 de ago.2011 LERNER Delia. Ler e escrever na escola- o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Ed. Artmed,2002. COMPAGNON, Antoine. Literatura para quê? Belo Horizonte: editora UFMG, 2009 COSACNAIFY, Peter Hunt. Crítica, teoria e literatura infantil. Editora: Cosac Naify ,2010 REYES, Claudia Raimundo; ZUIN, Poliana Bruno. O ensino da língua materna: dialogando com Vygotsky,Baktin e Freire.1.ed.Aparecida,SP:Idéias e letras,2010 ENTREVISTA COM DOCENTES SOBRE compreensão leitora: Prezado colaborador, Favor responder as perguntas abaixo e devolver o arquivo para o seguinte endereço eletrônico: jandiarapaiva@yahoo.com.br 1-Você leciona em que tipo de instituição? (A) escola municipal (B) escolas estaduais (c) Cursos livres 2-Em qual segmento leciona? ( ) Ensino fundamental ( ) ensino médio ( ) ensino superior 3-Qual é a relevância da apreciação da arte literária para a compreensão do texto literário? (a) Fundamental (b) Importante (c) Irrelevante 4-A partir de suas experiências, explique a importância do estudo do contexto social para a análise da arte literária? Atribua valores de 0 à 10 aos aspectos abaixo. (a) Análise da história da sociedade ( ), (b) Estilo literário ( ), (c) Vida e obra do autor ( ) (d) Outros ( ) especifique________________ 5-Que outros recursos artísticos são utilizados em aula? (a)Nenhum (b) Quadros, fotografias e gravuras (c) Recursos audiovisuais 6-Que outras formas de arte são estudadas em suas aulas? (a)nenhuma (b) teatro (c) dança (d) exposições (e) música Obrigada pela colaboração Jandiara

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