terça-feira, 13 de novembro de 2012

A primeira versão dos contos de Grim

Um mundo reencantado Em edição caprichada, Cosac Naify lança a primeiríssima e nada convencional versão dos contos de Grimm. Rapunzel está grávida. A princesa não beija o sapo. Cinderela perde o baile. A rainha má é a mãe, não a madrasta de Branca de Neve. Dois lobos tentam comer Chapeuzinho Vermelho. Livres da bruxa, João e Maria finalmente voltam pra casa. Tarde demais: sua mãe está morta. Não, não se trata de mais um filme da franquia Shrek ou da enésima releitura de clássicos infantis na indústria cultural. A nova tradução da mais antiga versão de Kinder und Hausmärchen, os contos maravilhosos editados pelos irmãos Grimm no século 19, promete tirar o pó que os próprios Grimm colocaram na obra que os consagrou. Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos, lançado este outubro de 2012 pela editora Cosac Naify em dois tomos, com tradução de Christine Röhrig, apresentação de Marcus Mazzari e xilogravuras de J. Borges, mostra na prática que não se faz infância como antigamente. Com heróis desagradáveis, reis cruéis e princesas infames, matriarcas de afetos implacáveis e finais nem sempre felizes, as histórias de Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) regurgitaram a tradição oral da Alemanha do século 19, em que o fantástico emergia em doses tão cavalares quanto a violência, o humor negro e a pulsão sexual. A primeira versão do clássico é de 1812, com 86 histórias colhidas no estado de Hessen (onde o rio Meno - Main, em alemão - corta Frankfurt) então ocupado por Napoleão. Os Grimm a criaram para a leitura de estudiosos do folclore alemão. Para a surpresa da dupla, no entanto, sua compilação começou a ser lida por pais que queriam entreter os filhos (não só na Alemanha, mas na Dinamarca de 1816 e na Holanda de 1820, informa Mazzari). A gravidez de Rapunzel O jovem príncipe imita a voz da fada e pede a Rapunzel que jogue seus cabelos para subir à torre. 'De início Rapunzel levou um susto, mas não demorou a gostar tanto do príncipe que combinou que viesse visitá-la todos os dias e ela o puxaria para cima. Assim viveram alegres e a fada não percebeu nada por um bom tempo, até que um dia Rapunzel disse a ela: ''''Sabe, senhora Gothel, as minhas roupas estão tão apertadas que não estão querendo servir mais em mim'''''. Vendo a gravidez, a fada dá surra em Rapunzel e corta sua trança. 'Depois baniu Rapunzel para um deserto onde ela passou apuros e onde, depois de um tempo, deu à luz gêmeos, um menino e uma menina.' A fada ainda tenta matar o príncipe, que fica cego. fonte.revista língua disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos/84/um-mundo-reencantado-271725-1.asp

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